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Ponte de Lourido

Quem navegue pelas águas do Tâmega será decerto surpreendido pela visão inesperada e invulgar de uma ponte suspensa, de sabor algo oriental, que une as duas margens do rio. É a Ponte de Lourido. Esta curiosa ponte, feita de arame e travessas de madeira, foi construída com o objectivo de permitir a ligação entre as populações das duas margens do Tâmega: as aldeias de Codossoso e Lourido, na margem direita, e a localidade de Rebordelo, situada na margem esquerda, já no concelho de Amarante.

Esta ponte mantém-se neste lugar desde 1926, mas não é a original; anteriormente terá havido ali uma outra mais estreita que ali existiria desde finais do século XIX. O seu estado de conservação actual inspira alguns cuidados, devido sobretudo ao mau estado de conservação de algumas travessas de madeira. Talvez por esse motivo, do lado de Amarante foi colocado um sinal alertando para o mau estado
da ponte e proibindo o seu atravessamento. Apesar desta proibição e do seu estado de conservação, a ponte continua a ser usada por pessoas, gado e até veículos de duas rodas e não se conhecem registos de acidentes.

Passar na ponte de Lourido é uma experiência única: o seu aspecto frágil é intimidatório e aqueles que por ela se aventuram verão a estrutura oscilar a cada passo. Mas quem consegue percorrê-la até ao fim, certamente não o esquecerá!


Como chegar: Na estrada de Amarante para Celorico de Basto, um pouco a sul de Celorico fica a aldeia de Lourido. A partir daqui uma estrada de terra faz a descida até ao local onde se encontra a ponte.

Ponte da Misarela

Situada sobre um troço muito acidentado do vale do Rio Rabagão, a Ponte da Misarela encontra-se construída num local de muito difícil acesso e onde nos dias de Inverno a corrente atingia proporções assustadoras. Facilmente se compreende que a existência de uma ponte em tão medonho local tenha dado origem a lendas e crenças, como a de que só o diabo conseguiria aqui construir uma ponte.
Uma das lendas referentes a esta ponte envolve precisamente o diabo, um viajante e um padre do Barroso. O viajante pretendia transpor o Rio Rabagão e como não encontrasse forma de o fazer, terá invocado o diabo, prometendo-lhe a alma a troco de este o conseguir fazer passar para o outro lado. O diabo apareceu e eis que surge a ponte, permitindo ao homem passar para a outra margem, após o que a ponte desaparece. À hora da morte, lá veio o diabo cobrar aquilo que lhe tinha sido prometido. O homem, assustado, negou-se a cumprir a promessa e chamou pelo padre que foi em seu auxílio, mas quando chegou ao rio não o conseguiu transpor. Seguindo as indicações do homem, invocou o diabo, que novamente apareceu. Então o padre aspergiu-o com água benta; foi-se o diabo, salvou-se o homem e ficou a ponte.
Lendas à parte, esta ponte apresenta algumas características curiosas. Um dos aspectos mais notáveis é o facto de não ter alicerces e assentar directamente nos rochedos que formam a margem. Talvez pelo facto de estes não se encontrarem perfeitamente alinhados, a ponte apresenta um invulgar traçado em curva. Depois da construção da barragem da Venda Nova, o caudal do rio ficou regularizado e as poderosas torrentes ter-se-ão tornado menos frequentes.
Durante as invasões francesas, esta ponte foi usada pelo exército do general Soult para fugir das tropas inglesas e portuguesas.

Como chegar: na estrada N103, de Braga para Chaves, pouco depois da aldeia de Ruivães, vira-se à esquerda para a Ponte da Misarela.

Aqui perto: continuando na direcção de Trás-os-Montes existe uma igreja românica em Covas do Barroso.
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